sábado, 14 de Novembro de 2009

à parte

Procuro-me.
Ando afastada deste mundo, sei que não estou aqui. Por isso, desta vez, partirei apenas à minha procura e, quando me reencontrar, voltarei.
Prometo.

sábado, 7 de Novembro de 2009

fim-de-semana

Acabei por acordar às 9h18, depois de muito ouvir o repetitivo toque do despertador.
A casa ainda se encontrava praticamente vazia, apenas comigo de pé e a andar de olhos ainda meio fechados. Vi então o quarto dos meus pais aberto e com a cama toda desfeita. "Já se foram embora" concluí.
O meu dorminhoco irmão ainda estava a dormir, por isso fechei a porta do seu quarto para, mais tarde, ele não vir queixar-se a mim que só me ouviu a arrastar-me de um lado para o outro.
Aproveitei para arrumar a casa, até reparar que tudo estava demasiado silencioso e que o Zappa estava a fazer muita falta. Procurei-o por todo o lado, até voltar à cozinha e me lembrar de que ele também fora para o Alentejo com os meus pais.

À medida que ía despachando umas tarefas e deparando-me com outras novas, o frio notava-se cada vez mais. Fui sempre mudando de roupa até chegar à conclusão de que mais valia estar quieta e fechar as janelas, enquanto o meu irmão apenas andava de manga curta e estava super quentinho. "E tu estás gelada!" disse-me. Mas eu sou mesmo assim, nem sempre dando por tal.
Felizmente, lembrei-me do meu belo candeeiro de lava que aquece o meu quarto em muito pouco tempo, por isso, foi só ligá-lo, embora continuasse com um casaco vestido.
Não estava muito satisfeita com a previsão do meu dia, ainda para mais vindo a saber que afinal acabava por ir dar ao mesmo, caso fosse passar o fim-de-semana ao Alentejo ou não, mas pronto... Resolvi então tentar fazer do meu irmão a salvação do dia e fui perguntar-lhe o que ía fazer hoje, embora eu tivesse muito que fazer relacionado com a escola. "Humm, vou fazer um trabalho de grupo com o Gil e o Pedro..." o que, em parte, me animou um bocadinho por ter gente em casa, "Mas o Gil acabou de ligar e agora é em casa dele. Lá terei eu que me vestir, fogo..." e também me soube desanimar.
"Óptimo. Sábado inteiro com a casa vazia; sem os meus pais comigo; ainda Domingo a seguir para ocupar com estudos; "proíbida" de ir à festa de anos de um amigo mas livre de sair ou combinar outra coisa qualquer com quem quiser; e não vou fazer nada de proveitoso! Excelente mesmo. Já para não falar dos dois meses que hoje são passados com uma indiferença magnífica".
E a auto-estima manteve-se muito elevada durante o resto do dia, vindo a ocupá-lo com desenhos e tentativas de melhoramento do desgraçado do diário gráfico.
"Deixa lá" disse para mim, "Amanhã estudas que também é bom e ainda mais divertido" e fiz pontaria com a almofada ao meu candeeiro de lava que entretanto já me tinha levado o frio.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

de volta

D: Estou?
P: Diana?
D: Sim.
P: Ligaram-me agora da Worten e a tua máquina já está pronta.
D: (grito) OW, finalmente!
P: Vou buscá-la mais logo.
D: OW, OW! Ok, obrigada!

E desliguei o telemóvel, reparando só depois que tinha deixado as chaves do lado de fora da porta.

domingo, 1 de Novembro de 2009

bastou ler

D: Porquê!?
Y: Calma Diana... Está gente mesmo do lado oposto da porta, controla-te.
D: Não vês!? Ela está a avisar-me! Está a abrir-me os olhos, embora não da maneira mais correcta, mas porque, na verdade, vou mesmo ficar sem ela! Eu não posso... Não posso... Não quero!... Ai, como isto dói...
Y: Estás a ferver!
D: Ajuda-m...
(...)

Y: Terás de conseguir aceitar isso... Será melhor assim se o fizeres.
D: Não! ... Não! Eu já gosto dela. Não!
Y: Já estás a aumentar a temperatura outra vez demasiado... por favor pára!
D: Não! Não pode s...

E um grande "golpe" abalou a minha cabeça, revelando-a ainda mais quente do que já antes estava. As suas mãos vieram ao meu socorro.

Y: Não, não deixes de falar... Havemos de passar também isto. Faz-me é o favor de te controlares antes que rebentes, por favor.
D: Ela... ela....
Y: Ela ainda cá está. E tu também deves continuar a fazê-lo, não só por ti.
D: Está a tornar-se cada vez mais difícil...
Y: Sabes que farei de tudo para que nada te aconteça, nada.
D: Mas não sou eu quem importa.

E a ideia do controlo começou a fazer mais sentido.
Nunca te irei odiar.

ocupada

Acabei agora o meu estudo de Geometria. Passei o dia todo fechada em casa, ocupada com trabalhos de casa e estudos a que, na verdade, não dei a importância devida. Mas agora já estou cansada, por isso não vale a pena continuar a insistir para que me tente concentrar no que não me apetece.
Mais um fim-de-semana que está a chegar ao fim. É pena, realmente.
Ainda irei tentar desenhar algo, para satisfação do meu professor de Desenho, mas acho que não passará apenas de uma boa ideia. Cortar horários é agora o meu passatempo.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

sem saber

Algo não está certo.
O cão só me pede festas. Os meus pais só implicam comigo. O meu quarto chega a uma altura do dia em que está sempre desarrumado. A hamster já nem me incomoda com o barulho que faz ao roer a gaiola. O meu irmão tem-se dado bem comigo nos últimos dias, isto é, já não me tem chateado tanto como antes o fazia sempre. Dizem-me que estou fria, mas sinto-me completamente a ferver. Tenho a cabeça a andar à roda, enquanto a minha voz se vai perdendo cada vez mais. Juro, juro mesmo, que dou por algumas pessoas olharem fixamente para mim, sem virem sequer dirigir-me uma única palavra, não me conhecendo também de lado nenhum. Vejo se tenho febre e o termómetro dá-me o número 34, coisa que acho perfeitamente normal, embora já me tenham dito que é tudo menos isso. Ao estar rodeada de pessoas, de quem na verdade quero estar, reparo que também elas têm algo estranho. Como eu, estão mesmo ali mas, na verdade, não o estão.
Algo continua a não bater certo...
Para onde fui?