8 de Fevereiro de 2010

dom da escrita?

Decidi partilhar este meu trabalho de Português, já que tive um comentário por escrito tão agradável vindo da professora. Uma memória:

"Alto, castanho, mais para o escuro, belo. Perturbado, doente, incontrolável. São estas as palavras que melhor associo à seguinte memória. Encostado à parede, de olhos vendados, perdia-se no meio do barulhento escuro. Mais atrás, assistindo a tudo com um enorme peso no coração, mantinha-me completamente imóvel, sem saber ao certo o que fazer ou se, na verdade, até deveria fazer alguma coisa. Quantas mais pessoas iam aparecendo, mais se mostrava agitado, ou mesmo nervoso, vindo a piorar com a entrada de outros cavalos que, desconhecendo o seu caso, correram o risco da limitada aproximação. Ficar encurralado revelou nele uma grande brutalidade, seguida de um barulho superior ao que antes já se presenciava. Com a confusão instalada, deram pela minha presença através da minha, a meu ver, inevitável aproximação. Rapidamente me levaram dali para fora, como se alguma vez fosse capaz de ignorar aquele momento do meu dia e continuar como se nada tivesse acontecido. Ainda hoje assim o é.
Alguém demasiado especial, cuja referida memória me abalou em excesso. O seu nome? Não deve ser pronunciado."

E sentia o coração bater enquanto a sua leitura decorria, com o peito encostado à mesa e os braços sobre a mala já pronta para ser carregada dali para fora. O dar nas vistas deixou de ser bem sucedido. Mas, por fim, saí, e inteira.

7 de Fevereiro de 2010

cinco

É possível?
Habituara-me ao escuro, ao vazio. Ao sentimento de perda, de tristeza, de sofrimento. A tentar suportar a dor todos os dias, todas as noites. Aos gritos, à força das mãos, ao tempo que passava e em nada alterava. Ao fundo. Sozinha.
Já lá vão cinco meses, feitos exactamente hoje. As noites mal passadas continuam. As dores continuam. Os sentimentos continuam. Mas o fundo, aquele em que sempre "caía" assim que ficava sozinha ou perdia o controlo, já não me prende. Já não me fecha em si. Nele, a escuridão é agora acompanhada por uma pequena luz. Pequeníssima, mas forte e sempre visível.
É possível?
Assim como no fundo tenho a tal luz, fora dele tenho companhia. Quem goste de mim, quem me ame. A felicidade que antes julgara nunca mais vir a ver/sentir, voltou de novo. E assim a encontro em alguns momentos do meu novo dia-a-dia.
Claro que muita coisa não mudou. A dor nunca diminuiu, nunca desapareceu. O que aumentou foi o controlo, a protecção, as forças para continuar. E assim sigo com tudo isto. Mantenho a minha cabeça ocupada. Tento divertir-me, distrair-me, ajudar também. Ficar sozinha revelou-se menos perigoso, visto que nem tempo às vezes tenho para isso.
Mas nada é perfeito. Nada o tirará de mim. Nada o fará voltar.
Assim digo: apenas metade vive. Aquela que bate e, muitas vezes, dizes sentir? É por ti. Por nós.
É possível?
É, é possível.

6 de Fevereiro de 2010

não, não é

Será que é desta? Ou é apenas mais uma desculpa, ou mesmo falsa esperança, e terei que continuar à espera até, mais provavelmente, já ter um novo por conta própria e nunca mais vir a precisar desse para nada?
Deixa lá, pai. Eu sei que tens sempre que fazer. Coisas muito mais importantes e interessantes para ti. Eu sei.

3 de Fevereiro de 2010

velas

Nunca fui tão feliz. E fica por aqui.

29 de Janeiro de 2010

às vezes

Já consigo ver que não estou realmente sozinha, embora me tenhas deixado. Estive.

contigo

"Vem, vem comigo... Levo-te comigo, levo-te à lua, onde quiseres. Só quero ficar contigo, sempre."

21 de Janeiro de 2010

memórias

A dor começou a vir. "Por favor, parem..." pedia-lhes por pensamento. Sem o perceberem, não pararam e, assim, também a dor continuou.
Passados minutos, deixei de aguentar. "Desculpem, tenho de ir à casa de banho... Stôr? Posso ir à casa de banho? Por favor...", e fui. Assim que me pus a caminho as lágrimas caíram, depois de tanto serem retidas. Fechei a porta e encostei-me à parede enquanto descia lentamente, esperando que a dor passasse o mais rapidamente possível. Por fim, regressei à aula.

Ps.- Talvez nem tenhas percebido, mas ajudaste bastante. Obrigada T.

16 de Janeiro de 2010

segunda

"Diverte-te" disse-lhe, e fui.